A pele fechou, a ferida cicatrizou, e por fora parece tudo resolvido. Mas por dentro, a cicatriz de cesariana pode continuar a gerar tensão, aderências e desconforto durante anos, mesmo que ninguém te tenha avisado que isso era possível, nem que havia algo a fazer.

O que acontece por baixo da pele

Uma cesariana envolve várias camadas de tecido, pele, músculo, fáscia, que cicatrizam de forma independente. Quando essas camadas não deslizam bem umas sobre as outras, formam-se aderências, que podem limitar a mobilidade abdominal, causar dor à palpação ou sensação de "puxão" em determinados movimentos.

Sinais de que a cicatriz precisa de atenção

Sensação de dormência ou formigueiro à volta da cicatriz, dor com determinados movimentos, sensação de tensão ou aderência ao toque, ou mesmo dor lombar persistente que parece não ter outra explicação. Estes sinais podem surgir meses ou até anos depois do parto.

Como a fisioterapia trata a cicatriz

O trabalho inclui mobilização manual dos tecidos, técnicas de libertação de aderências e, frequentemente, reeducação da musculatura abdominal profunda, que costuma ficar inibida após a cirurgia. O objetivo é devolver mobilidade e função a uma zona que, de outra forma, fica "esquecida" pelo corpo.

Nunca é tarde para tratar

Mesmo que a tua cesariana tenha sido há vários anos, vale a pena avaliar a cicatriz. Muitas mulheres só percebem o impacto que ela tinha depois de a tratarem, e sentem uma diferença real na mobilidade e no conforto do abdómen.

A tua cicatriz merece o mesmo cuidado que o resto da recuperação.

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